Se as pessoas estão procurando uma razão para não pesquisar a respeito da Igreja, não há melhor desculpa do que usar o boato que parece desafiar o tempo: os mórmons praticam a poligamia.

Apenas 14% dos americanos sabem com certeza de que isso não é verdade. Isto por si só nos diz que 86% não tem certeza. O fato mais alarmante é que durante 120 anos trabalhamos para esclarecer esse boato.

Abaixo coloquei alguns trechos do meu livro “Crenças Mórmons… O quê?! Fatos e Ficção sobre uma Religião em Ascenção”, (Mormons Believe … What?! Fact and Fiction About a Rising Religion”) que aborda alguns fatos sobre essa questão, e meus esforços em esclarecer esse ponto para pessoas de outras religiões.

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As pesquisas indicam que a poligamia esta entre as três principais coisas que as pessoas querem saber a respeito dos Mórmons.

Então, aqui estão os fatos: sim nós a praticamos e não nós não praticamos.

A maneira como eu enxergo a poligamia é que tal designação dada por Deus pode não ter sido tão ruim quanto receber a ordem de ter que uma construir uma arca em seu quintal centenas de quilômetros do oceano, mas chega perto.

Houve momentos na história bíblica, quando Deus ordenou a pratica da poligamia, como nos casos de Abraão e Jacó, e momentos em que Ele não a ordenou. Da mesma forma, durante o século 19, durante um período de 50 anos, Deus ordenou especificamente aos membros da igreja que deveriam praticá-la. (Nós costumávamos brincar que quando Brigham Young terminava seu dia de trabalho, ele poderia ir para casa seguindo qualquer direção.) Então, em 1890, três anos após o Congresso Americano aprovar a Lei Edmunds-Tucker que proibiu a prática, Deus ordenou que deixássemos de praticá-la.

Por esse motivo, nós não praticamos a poligamia atualmente, embora 46% dos americanos ainda acreditam que sim e apenas 14% tem certeza que não. Estranho, não é, isso em uma era de informação instantânea.

No momento em que foi sancionada pela igreja, somente uma pequena porcentagem a praticava e entre eles não estava o proeminente membro chamado Reed Smoot, que foi eleito para o Senado dos EUA em 1902, pouco depois que Utah foi admitido à União em 1896. A poligamia continua a ser um assunto controverso, muitos senadores se opuseram a sua posse. O debate prosseguiu até 1907, quando o senador Boies Penrose da Pensilvânia fez a balança pender para Smoot quando ele disse, “Eu preferiria ter sentado ao meu lado nesta câmara um polígamo que não pratica a poligamia do que um monógamo que não pratica a monogamia”.

Comunidades Religiosas e Grupos Dissidentes

Grande parte da confusão sobre os Mórmons e a poligamia surge quando as pessoas nos confundem com os grupos separatistas de nossa igreja, existem mais de 150 deles, alguns dos quais praticam a poligamia. Esses grupos usam nomes que sugerem uma legitima relação conosco –

A Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Igreja dos Últimos Dias de Cristo

Igreja do Cordeiro de Deus

A Igreja Verdadeira e Viva de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Irmãos Apostólicos Unidos

Ramo de Retidão da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e do Reino de Deus

Mas não temos absolutamente nada a ver com eles, não importa o quão criativo os seus nomes sejam e não importa em quantas de nossas doutrinas possam acreditar. E não importa quantos anúncios o canal de TV por assinatura americano HBO faça sugerindo que a série Big Love seja sobre os Mórmons.

Por exemplo, a maioria das pessoas que não são batistas não faz distinção entre os Batistas do Sul, os Batistas Independentes, e os Batistas Americanos – Batistas são Batistas, eles racionalizam. Mas os batistas sabem quais são as diferenças.

Da mesma forma, quantos não Luteranos sabem distinguir entre os Luteranos Evangélicos dos Luteranos Sínodos da Missão do Missouri? Poucos. Porém os Luteranos sabem.

O mesmo acontece conosco. As pessoas de outras religiões injustamente nos colocam no mesmo saco junto com os grupos dissidentes como se fôssemos uma grande comunidade da fé mórmon, ou da mesma tradição religiosa, mesmo que eles tenham tanto em comum conosco como os Protestantes tem com o Catolicismo.

Olhe isto deste modo. Se eu fundei uma igreja e a chamei de Igreja Metodista fundamentalista, eu por força seria um Metodista? Se eu acreditasse em 90% daquilo que os verdadeiros Metodistas acreditam, mas os outros 10% estivessem em clara oposição a sua doutrina, os Metodistas iriam me aceitar como parte de sua comunidade religiosa? Eu duvido muito.

Todos nós somos culpados em agrupar pessoas em denominações ou comunidades religiosas, e nós Mórmons somos tão culpados quanto qualquer outra pessoa. Enquanto estamos tentando sermos mais precisos na forma como categorizar as outras religiões, esperamos que os outros também sejam tão perspicazes a nosso respeito. Só porque alguém coloca a palavra “fundamentalista” ou uma palavra similar na frente do título de nossa igreja, não devemos assumir que o grupo faça parte da nossa comunidade religiosa.

Na verdade, somos uma família religiosa com uma só denominação. Se excomungamos um membro porque ele pratica a poligamia e ele começa sua própria igreja, é melhor você acreditar que ele não é uma parte de nós, não importa quantas cópias do Livro de Mórmon ele tenha em sua estante.

Apenas a monogamia

Em suma, algumas vezes, Deus ordena a seu povo que pratique a poligamia, como aconteceu nos tempos do Antigo Testamento e, por vezes, quando as leis dos homens tornam difícil de obedecer os seus mandamentos, o Senhor pode revogar aquela lei e nos ordenar a cumprir a orientação anterior, porque Ele também nos ordenou a obedecer às leis do pais em que vivemos.

O Presidente da Igreja, Wilford Woodruff, anunciou o seguinte, em outubro de 1890:

Na medida em que leis foram promulgadas pelo Congresso proibindo os casamentos plurais, e que as leis foram pronunciadas constitucionais pelo tribunal de última instância, declaro minha intenção de submeter-me a essas leis, e de usar minha influência junto aos membros da Igreja sobre a qual eu presido, para que eles façam o mesmo.

Algumas pessoas hoje chamam isso de uma revelação de conveniência, e dizem que as leis do homem invalidaram a de Deus. Concordo que parece isso mesmo, e a pressão do governo, obviamente, desempenhou o seu papel. Aqueles mais teimosos, entretanto, teriam continuado a praticar a poligamia apesar de serem presos pelo governo, e muitos foram, não tivesse o Senhor usado esses eventos para gravar nos santos dos últimos dias a importância de uma prática ainda mais importante – o trabalho do templo.

Após a Declaração Oficial observado acima, o Presidente Woodruff explicou que a ele havia sido mostrado em uma visão o que iria acontecer com o nosso trabalho do templo se a poligamia continuasse. Para que as pessoas pudessem entender e apoiarem a decisão, o Senhor disse-lhes para ponderar o que era mais importante: continuar a prática do casamento plural (o nosso nome para a poligamia) e sofrer a total interrupção do trabalho no templo, ou a se subterem as leis e ao direito devidamente aprovado da terra?

Podemos imaginar o que é mais importante.

Eu tenho a impressão que até o final do século 19, o casamento plural tenha servido aos seus propósitos, quaisquer que fossem, e que um objetivo maior, agora suplantaria aquela prática. Era hora de se concentrar nas preparações importantes para a Segunda Vinda do Salvador.

Portanto, a monogamia é agora a única prática de casamento autorizada pela Igreja SUD, como tem sido por mais de 120 anos.

Para darmos uma idéia da seriedade com que seguimos os mandamentos de Deus, dou o seguinte exemplo, se eu quisesse ser rapidamente excomungado da minha igreja, somente preciso começar a praticar a poligamia. Isso porque todos os outros pecados levariam mais tempo.

Qualquer membro de nossa igreja que se encontra em uma relação poligâmica é imediatamente excomungado. Ponto. Uma pessoa tem uma melhor chance de manter sua filiação, se ele é um monogâmico que não pratica a monogamia.

Mas isso é também contra as regras.