O que querem dizer os Santos dos Últimos Dias quando afirmam que Deus certa vez foi um homem?

Primeira visão

É possível crer que o próprio Deus já foi um homem?

Joseph Smith ensinou em abril de 1844: Deus já foi assim como somos hoje, e é um homem exaltado, e está entronizado nos céus distantes! Esse é o grande segredo. Se o véu fosse levantado hoje, e o grande Deus que sustem este mundo em sua órbita, e segura todos os mundos e todas as coisas através de Seu poder, se mostrasse ao homem, – quero dizer, se você o visse hoje, você o veria como um homem semelhante a você mesmo em toda Sua pessoa, imagem, em verdadeira forma de um homem…. Constitui o primeiro princípio do Evangelho conhecer com absoluta certeza o caráter de Deus, e saber que poderemos conversar com Ele tal como um homem conversa com outro homem, e que Ele foi um homem como nós; sim, que Deus em pessoa, o pai de todos nós, habitou em uma terra, tal como Jesus Cristo o fez.

Como pudemos ver, Lorenzo Snow, o quinto presidente da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, apenas resumiu essa doutrina em uma frase: “Assim como o homem é Deus já foi, assim como Deus é o homem poderá vir a ser.”

Ao proclamar essa doutrina, nem Joseph Smith ou qualquer de seus sucessores jamais procuraram limitar ou rebaixar o Todo Poderoso. De fato, tanto o Livro de Mórmon quanto Doutrina & Convênios afirmam enfaticamente que não existe conhecimento ou poder ou atributo divino que Deus não possua em perfeição. “Oh quão grande a santidade de nosso Deus! Pois ele conhece todas as coisas, e nada há que Ele não conheça.” (2 Nefi 9:20; ver 2Nefi 2:24; Moroni 7:22). Ele verdadeiramente “tem todo poder, toda sabedoria e todo o entendimento” (Alma 26:35). “Ele que é maior do que toda a terra” (1Nefi 4:1) “compreende todas as coisas, e todas as coisas estão perante Ele” (D&C 88:41).

Os mórmons aceitam a realidade de que “há um Deus nos céus, que é infinito e eterno, de eternidade em eternidade o mesmo Deus imutável, criador dos céus e da terra, e de todas as coisas que neles há” (D&C 20:17).

Mortalidade

De que Deus foi antes um ser mortal não é inconsistente com o fato de que Ele agora possui todo o poder e todo o conhecimento e possui toda virtude, graça, e atributos divinos. Ele adquiriu perfeição através de longos períodos de crescimento, desenvolvimento, e progresso, “indo de um pequeno grau a outro, e de uma pequena capacidade a uma maior; de graça em graça, de exaltação em exaltação!, tal como Joseph Smith explicou.

“Quando você sobe uma escada, você deve começar debaixo, e subir degrau por degrau, até alcançar o topo; assim também com os princípios do Evangelho – você tem de começar com o primeiro, e seguir até aprender todos os princípios da exaltação. Mas levará muito tempo depois que você passou pelo véu antes que possa tê-los aprendido. Nem tudo será compreendido neste mundo; será um grande trabalho aprendermos sobre nossa salvação e exaltação até mesmo depois da sepultura.”

De eternidade em eternidade

Como então, os Santos dos Últimos Dias conciliam a descrição escriturística de Deus como sendo “de eternidade em eternidade” com a idéia de nem sempre ele foi Deus? Em primeiro lugar, eles acreditam nas passagens bíblicas que falam da eternidade de Deus e de ser ele o mesmo ontem, hoje, e para sempre como referindo-se a seus atributos divinos – seu amor, constância, e desejo de abençoar Seu povo (ver, por exemplo, Salmo 102:27; Hebreus 1:12; 13:8). Tais passagens são também encontradas no Livro de Mórmon e em Doutrina e Convênios e, novamente, referindo-se à natureza divina de Deus (ver 1Nefi 10:18-19; 2Nefi 27:23; Alma 7:20; Mormon 9:8-11, 19; Moroni 8:18; 10:7; D&C 3:2; 20:12, 17; 35:1).

Não muito tem sido revelado a respeito desse conceito além do fato de que Deus foi um dia um homem e que depois de um longo período de tempo ganhou conhecimento, poder e os atributos divinos necessários para conhecer todas as coisas e possuir todo o poder. Por haver ganhado seu estado exaltado por um período tão longo que nenhum de nós pode conceber, ele está apto a falar em termos de eternidade e pode afirmar que Ele é de eternidade em eternidade. O Presidente Joseph Fielding Smith explicou que “de eternidade em eternidade significa da existência do espírito através da provação em que estamos, e novamente de volta à existência eterna que se seguirá. Sem dúvida isso é eternidade, pois quando recebermos nossa ressurreição, nunca mais morreremos. Todos nós existimos na primeira eternidade. Acredito poder afirmar por mim e por outros, que somos da eternidade; e seremos para a eternidade sem fim, se recebermos a exaltação.”

Empatia

O presidente Brigham Young ensinou que nosso Pai nos céus “passou pelas provações que passamos agora; obteve assim experiência, sofreu e regozijou-se, conhece tudo que conhecemos com relação à fadiga, sofrimentos, vida e morte desta mortalidade, pois ele passou por tudo isso, e recebeu sua coroa e exaltação.” Homens e mulheres podem referir-se a Ele como pai e orar a Ele com perfeita segurança de que Ele compreende nossos esforços. Sua experiência contribui para sua empatia tanto quanto sua onisciência e total capacidade amorosa para julgar seus filhos. O Presidente Brigham Young observou que “é necessário que Deus conheça algo a respeito das coisas temporais, e tenha tido um corpo e estado na terra; a não ser assim ele não saberia julgar os homens justamente, de acordo com as tentações e pecados com os quais tiveram de lutar.”

Para os Santos dos Últimos Dias, Deus é bem mais do que uma força cósmica definitiva ou causa primária; Ele é um ser pessoal, um Homem de santidade exaltado, literalmente nosso pai nos céus (ver Moisés 6:57). Ele tem um corpo, partes e paixões. Ele é acessível, conhecido, e, como seu Filho Amado, capaz de ser tocado pelo sentimento de nossas enfermidades (ver Hebreus 4:15). Ele tem carinhosa preocupação por seus filhos e deseja que eles se tornem como Ele é – não através de nosso esforço pessoal sozinho, mas principalmente através de sua misericórdia, graça, e poder transformador e glorificador que vem através do sacrifício expiatório de Jesus Cristo.

Essas doutrinas não estão claramente registradas na Bíblia. Os mórmons acreditam, entretanto, que esse conhecimento existiu entre os antigos e que ele foi restaurado através dos profetas modernos. Àqueles que sinceramente buscam uma compreensão de si mesmos e de seu destino, os profetas dos últimos dias têm afirmado que, por buscarem verdadeiramente conhecer Deus, os homens e mulheres poderão compreender sua própria identidade eterna e divinas possibilidades. Nas palavras de Joseph Smith, “Se os homens não compreendem o caráter de Deus, eles não compreendem sequer a si mesmos.”

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Este texto é parte do artigo “Cristianismo Nos Últimos Dias: Dez Questões Básicas” produzido por Noel B. Reynolds, Professor de Ciências Políticas na Universidade Brigham Young e Robert L. Millet, Professor de Escrituras Antigas na Universidade Brigham Young.

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