Satanás, o Diabo, era um honrado filho de Deus, na Vida m expulsos da presença de Deus – e tornaram-se anjos decaídos, Perdição – sem chance alguma de Redenção (D&C 76:25-30, 29:36-3 8; Apocalipse 12: 7-9; II Pedro 2:4; Judas 1 :6).

Todavia, para cumprir seus sábios propósitos, Deus não imputou de imediato a plenitude da pena ao diabo e aos demônios. Ele permitiu que eles viessem a Terra e fizessem parte da provação daqueles que haviam guardado seu primeiro Estado, e recebido o o direito de nascer nesta Terra e ser provados. Satanás e seus seguidores nos odeiam e são inimigos ferrenhos de toda virtude. Eles estão na Terra e procuram persuadir todos a pecarem e amarem as trevas mais que a luz.

O tempo do Inimigo esta acabando, e logo ele será amarrado. Por mil anos o Diabo e os demônios deixarão de ter poder sobre os homens mortais. Mas, depois destes mil anos, ele será solto e reunirá seus seguidores para uma grande e última batalha. Quando ele for vencido seu julgamento pré-mortal o alcançará de forma plena.

 

O Pecado dos Filhos da Perdição

A sanção máxima dos Filhos da Perdição se dá por terem cometido o pecado imperdoável. Mesmo antes do inicio do teste mortal tal pecado já podia ser cometido, devido ao arbítrio e conhecimento que possuíamos. E o diabo e seus seguidores o cometeram. Nesta vida mortal o mesmo pecado pode ser alcançado, embora, antes de cometê-lo, um homem precise estar em um grau elevado de espiritualidade. O Profeta Joseph Smith explicou:

Todos os pecados serão perdoados, exceto aquele contra o Espírito Santo, pois Jesus salvará a todos, exceto aos filhos da perdição. O que deve fazer o homem para cometer o pecado imperdoável ? Tem que receber o Espírito Santo, ter os céus abertos a ele e conhecer Deus, e depois pecar contra ele. Após haver pecado contra o Espírito Santo, para ele não há mais arrependimento. Terá que dizer que o sol não brilha, enquanto o vê; terá de contestar Jesus Cristo, quando os céus lhe forem abertos, e negar o plano de salvação, com os olhos abertos para a realidade dele; e desse momento em diante, passa a ser um inimigo. É este o caso de muitos apóstatas de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Ultimas Dias . ” (Joseph Smith, Ensinamentos, pg. 349-350)

Observe a seguinte citação do Élder Bruce R. McConkie:

O cometimento do pecado imperdoável consiste em crucificar em si mesmo o Filho de Deus e envergonhá-lo abertamente. (Hebreus 6:4-8; D&C 76:34-35) Para cometer um crime imperdoável, o homem precisa receber o evangelho, adquirir, por revelação do Espírito Santo, o conhecimento absoluto da divindade de Cristo, e então negar ‘o novo e eterno convênio mediante o qual foi santificado, chamando-o (o convênio) de coisa ímpia e ofendendo o Espírito da graça’. Portanto, comete assassínio, consentindo na morte do Senhor, isto é, tendo conhecimento perfeito da verdade, rebela-se abertamente e coloca-se em posição na qual crucificaria Cristo, sabendo perfeitamente que era Filho de Deus. Cristo é, assim, crucificado e envergonhado abertamente. (D&C 132:27.) (Mormon Doctrine, pg. 816-817.)

O Élder Charles W. Penrose afirmou o seguinte, acerca do grau em que tal pessoa se toma cheia do espírito de Satanás:

Os que o seguiram (a Satanás) e assim se tomaram cheios de seu espírito, que é o espírito de destruição, em oposição ao espírito que produz vida, passam a pertencer ao diabo. O espírito do assassínio entra em seus corações, e eles estão dispostos a tirar a vida do próprio Filho de Deus, se por acaso ele surgisse vivo em seu caminho. (Conference Report, outubro de 1911, pg. 51)

 

A Condenação dos Filhos da Perdição

Quando o Senhor Jesus Cristo revelou “a Visão” de D&C 76, falou sobre o destino do diabo e dos filhos da Perdição: “Estes são os que irão para o lago de fogo e enxofre”, e “os únicos sobre quem a segunda morte terá qualquer poder (…) os únicos que não serão redimidos no devido tempo do Senhor depois de terem sofrido sua ira [na provação, que é tanto a mortalidade e quanto o mundo espiritual]”.

Disse também que Cristo salvaria todos as obras de suas mãos, “exceto esses, os quais irão para o castigo infinito, que é castigo sem fim, que é castigo eterno, para reinar com o diabo e seus anjos na eternidade, onde seu bicho não morre e o fogo é inextinguível, o que é seu tormento – E homem algum conhece o seu fim nem seu lugar nem seu tormento; Nem foi revelado nem é nem será revelado ao homem, exceto àqueles que dele forem feitos participantes; Contudo eu, o Senhor, mostro-o em visão a muitos, mas imediatamente torno a encerrá-la; Portanto seu fim, sua largura, altura, profundidade e miséria eles não compreendem, nem homem algum, a não ser os que são ordenados a essa condenação.” (D&C 76:36-38, 43-48)

A segunda morte é a morte espiritual. No GEE aprendemos que morte espiritual é a “separação de Deus e de sua influência; morrer no tocante às coisas que pertencem à retidão” (GEE”Morte Espiritual”). Não significa, portanto, desaparecer espiritualmente ou ter o corpo espiritual destruído. Como o próprio Deus disse “nenhum homem” na mortalidade compreende perfeitamente o que consiste o sofrimento dos filhos da perdição.

 

A Falsa Doutrina da Aniquilação

Um ponto importante é que mesmo Satanás sendo condenado para as trevas ele ainda continuará sendo o diabo. O que significa que sua identidade e personalidade continuará existindo no sofrimento eterno. “O ser” de Satanás comporta sua inteligência eterna e seu tabernáculo de espírito. Ele não será despojado do espírito, senão, parte inerente de sua personalidade seria despojada também. Ele perderia sua identidade. Perdendo a identidade não há razão para que a Justiça Divina requeira um sofrimento eterno na Trevas, afinal se ele não mais existiria e não haveria lógica em falar sobre castigo eterno ou punição infinita.

O mesmo vale aos que, tendo nascido na mortalidade e cometendo o pecado imperdoável, receberem um corpo imortal, após ressuscitarem. Mesmo que sua condenação seja Trevas, eles manterão sua alma (corpo + espírito), e sofrerão tanto no corpo como no espírito (sofrimento semelhante ao Salvador como descrito em D&C 19:18, pois Cristo sofreu como um filho da Perdição. Seu sofrimento abrangeu a morte física e espiritual).

Caim, que foi chamado Perdição (Moisés 5), terá um corpo ressurreto. Alguns acreditam que Satanás perderá seu espírito e os filhos da perdição que tem um corpo (como Caim) perderão o corpo e o espírito. Ou seja, eles serão desintegrados e voltarão a ser meras inteligências – sem possibilidade alguma de progresso.Isso, porém, não é verdade. Não é o que lemos nas escrituras e nem nas citações dos profetas. Lemos que a Expiação de Cristo proporcionará um corpo ressurreto para todos os que viveram na mortalidade – e isso inclui os que se tornaram filhos da Perdição neste Estado (Alma 11:41 e D&C 76:42-48). Esse corpo (obtido NESTE estado) nunca mais morrerá, após a ressurreição (Ama 12:16-18).

 

Citações

As seguintes declarações dos profetas reforçam e esclarecem que a doutrina da aniquilação final é equivocada:

O Presidente Brigham Young disse:

Não existe o que chamamos de extermínio, pois não podeis destruir os elementos de que são constituídas a coisas.(Discursos, “Julgamento Eterno”, pg. 387)

O Presidente Joseph F. Smith, sexto presidente da Igreja, disse que aqueles que sofrerem a morte espiritual irão permanecer

para sempre presos às correntes da escuridão espiritual, e banidos de sua presença, reino e glória. A ‘morte temporal’ é uma coisa, e a ‘morte espiritual’ é outra. O corpo pode dissolver e extinguir-se como organismo, embora os elementos que o compõem sejam indestrutíveis ou eternos; contudo, afirmo, como sendo evidente: que o organismo espiritual é um ser eterno, imortal, destinado a desfrutar da plenitude da felicidade eterna e da plenitude da alegria, ou sofrer a ira de Deus, e a miséria – uma condenação justa, eterna. Adão morreu espiritualmente; entretanto viveu para suportar seu castigo, até poder libertar-se dele pelo poder da Expiação, através do arrependimento. Aqueles a quem a segunda morte for pronunciada viverão para sofrê-la e aturá-la, mas sem esperança de redenção. (Doutrina do Evangelho, “A Natureza Eterna da Igreja, do sacerdócio e do homem”, pg. 15)

O Presidente Joseph Fielding Smith explicou:

Ao falarmos de segunda morte como morte eterna, não queremos dizer que aqueles que dela participam são sentenciados eternamente à dissolução do corpo e também do espírito. O espírito do homem é eterno e não pode morrer no sentido de deixar de existir.

(…) Ninguém jamais saberá a extensão desse castigo, exceto os que dele forem feitos participantes. Que é a mais severa punição que pode ser imposta ao homem, é evidente. Trevas exteriores é algo indescritível; sabemos apenas que significa ser colocado além da benigna e confortadora influência do Espírito de Deus – completamente banidos de sua presença.”

(…) Aprendemos pelas escrituras que “esta restauração virá a todos, (…) sejam bons ou maus; e não se perderá nenhum só cabelo de suas cabeças”. Porém os “perversos permanecerão como se não tivesse havido redenção, sendo-lhe apenas afrouxadas as cadeias da morte; pois dia virá em que todos se levantarão da morte e se apresentarão perante Deus, que os julgará segundo suas obras”

Esta segunda morte, portanto, não é a dissolução ou aniquilamento tanto do espírito como do corpo, mas o banimento da presença de Deus e de participar das coisas da retidão.”

(…)

Esse fogo e enxofre, somos informados, é um símbolo do tormento a ser suportado pelos iníquos . Não é um fogo real, mas um tormento mental; em outras palavras é a punição descrita pelo Salvador como bicho que não morre e o fogo que nunca se apaga, e serão para todo sempre. (Doutrinas de Salvação, “Vida e Morte Espiritual”, pg. 215-229)

 

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