Eliza Roxcy Snow foi a segunda presidente geral da Sociedade de Socorro. Ela dedicou sua vida a serviço do Senhor. “Vivo para ser capaz de fazer a vontade do Pai” disse certa vez [1].

Andrea Radke Moss

Professora Andrea Radke-Moss

Um estudo (que não mudará em nada o grande legado e nobreza de Eliza – talvez, até o reforce) foi apresentado em um recente simpósio acadêmico em Provo, pela professora de História Andrea Radke-Moss, da Universidade Brigham Young-Idaho. Nele há a sugestão de que Eliza R. Snow teria sido violentada por oito perseguidores da Igreja do Estado do Missouri, Estados Unidos. A notícia foi divulgada no The Salt Lake Tribune [2]

“O estupro foi brutal, e por isso Eliza se tornou incapaz de ter filhos”, disse a professora. “Joseph Smith ofereceu-lhe o casamento como uma forma de prometer a ela que ela ainda teria descendência eterna e que ela seria uma mãe em Sião.”

Um dos capítulo mais doloroso da história da Igreja ocorreu quando o membros foram injustamente expulsos do Estado do Missouri:

 

Eliza R Snow

“Os santos no Missouri começaram a sofrer enormes perseguições na metade do ano de 1833. Consequentemente, os membros da Igreja concordaram em sair do Condado de Jackson até janeiro de 1834. Em outubro e novembro de 1833, porém, as perseguições voltaram a intensificar-se. Turbas uniram-se e agrediram alguns santos, destruíram casas, móveis, plantações e animais e expulsaram centenas de santos dos últimos dias de casa, isso quando o inverno estava começando. A maioria dos membros da Igreja cruzou o rio Missouri para chegar o Condado de Clay e construir abrigos permanentes. O Profeta Joseph Smith escreveu: “As cenas eram indescritíveis e enterneceriam o coração de qualquer pessoa do mundo, com exceção de opressores desalmados e homens intolerantes, preconceituosos e ignorantes”. [3]

Eliza R. Snow é conhecida como a poetiza de Sião. Ela foi a Presidente da Sociedade de Socorro que serviu por mais tempo, ela era uma forte defensora do sufrágio feminino e uma poeta estimada, que escreveu, por exemplo, as famosas letras do Hino “Ó Meu Pai”, que indica à crença de SUD em uma Mãe Celestial.

Ainda que provável, o estupro não é confirmado documentalmente – e a hipótese é reforçada tão somente por menções em duas biografias – a de Alice Merrill Horne (que quando criança ouviu mulheres falando sobre o estupro de Eliza R. Snow) e a especulação de Jill Mulvay Derr (um dos biógrafos de Eliza R. Snow). Portanto, o estudo apenas abre espaço para mais investigação e debate, sem pretender ser conclusivo.

Se verdadeiro, o terrível evento em que Eliza teria passado, poderia, segundo a professora, “fornecer um modelo” para as mulheres que enfrentam estupros. Além disso, continua a professora, o evento poderia “ajudar a compreender a justificativa de casamentos plurais: “a poligamia traria [para Eliza] um conforto espiritual após um crime selvagem que fez infértil, e uma medida de proteção no contexto do trauma e da violência sexual que as mulheres mórmons experimentaram.”

 

 

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NOTAS

[1] Eliza R. Snow, discurso proferido na conferência da Sociedade de Socorro da Estaca Salt Lake em 15 de setembro de 1887, “Salt Lake Stake”, Woman’s Exponent, 1º de outubro de 1887, p. 70.

[2] Leia-o em inglês aqui.

[3] History of the Church, 1:437