A figura do “anticristo” como um personagem singular e aterrorizante é uma construção teológica que remonta a Idade Média e prepondera até hoje em vários segmentos do cristianismo. Há seis referências ao “anticristo” nas escrituras. Todas elas indicando “anticristo” como uma condição e não a um único personagem. Se tivéssemos que adequar esse termo a apenas um personagem, então a melhor escolha seria indicar que o anticristo é o próprio Satanás. Ele é, sem dúvida o maior opositor de Cristo. Porém, muitos mais podem ser considerados como anticristos.

Em I João 2:18, o apóstolo João, adverte os santos contra um novo anticristo que haveria de surgir em breve, mas ele também diz que “já muitos anticristos se têm levantado”. “Os anticristos aos quais João se referiu são as pessoas que abandonaram a Igreja e deixaram de acreditar em Jesus Cristo” [1]. Depois João explica que todos os que negam o poder de Cristo para salvação e procuram enganar o mundo são anticristos, ou possuem o “espírito do anticristo” (I João 2:22, I João 4:3, II João 1:7). No Livro de Mórmon aprendemos que mesmo antes do nascimento do Salvador, já haviam anticristos (Jacó 7 e Alma 30:6, 12).

Daniel teve uma visão semelhante a João em Apocalipse em Daniel 7:20-27. Ele viu, em determinado momento, uma criatura com dez chifres, sendo que um outro chifre pequeno crescia entre eles. Tal ponta representaria o anticristo, um personagem ímpar e demoníaco? Alguns creem que sim. Porém “é impossível identificar este símbolo com qualquer indivíduo ou reino do mundo específico, mas parece corresponder à besta que João viu subir do mar (Apocalipse 13:1), a qual fez igualmente “guerra aos santos” (Apocalipse 13:7). A ponta ou chifre pequeno representa um notável poder anticristo que surgiria após a época do Império Romano, e seria diferente dos outros dez reinos mencionados depois do poder romano. Daniel diz que essa ponta teria poder para fazer guerra aos santos e derrotá-los até a época da segunda vinda de Cristo.” [2]

O Presidente George Albert Smith falou da diminuição da crença em Deus e na missão divina de Jesus Cristo e identificou muitas pessoas que possuem o “espírito de anticristo”: ” “É estranho como é difícil para muitas pessoas acreditarem na existência de Deus. Muitos são anticristos, mas são capazes de crer em quase tudo mais que lhes for apresentado e defendido com argumentos. Digo-lhes hoje que a maior parte da população do mundo em que vivemos é formada por anticristos, e não seguidores de Cristo. E mesmo no meio dos que afirmam crer no cristianismo, relativamente poucos de fato acreditam na missão divina de Jesus Cristo. Bem, qual é o resultado? As pessoas afastaram-se do Senhor e Ele não pode abençoá-las quando elas se recusam a serem abençoadas” [3]

A irmã Julie B. Beck disse energicamente: “Ser anticristo é ser antifamília. Toda doutrina ou princípio que nossos jovens ouvirem no mundo que seja contra a família também é contra Cristo. É simples assim.” [4]

Mas qual a definição de um anticristo?

O Guia para Estudo das Escrituras define anticristo como sendo “toda pessoa ou tudo aquilo que seja uma representação falsa do verdadeiro plano de salvação do evangelho e que, aberta ou secretamente, se oponha a Cristo. (…) Lúcifer é o maior anticristo, mas ele tem muitos assistentes, tanto entre os seres espirituais como entre os mortais” (“Anticristo”).

O Élder Bruce R. McConkie (1915–1985), do Quórum dos Doze Apóstolos, foi além: “Um anticristo é um oponente de Cristo, é quem se opõe ao evangelho verdadeiro, à Igreja verdadeira e ao verdadeiro plano de salvação (I João 2:19; 4:4–6). É quem oferece salvação aos homens sob termos diferentes daqueles estipulados por Cristo. Serém ( Jacó 7:1–23), Neor (Alma 1:2–16) e Corior (Alma 30:6–60) foram anticristos que espalharam suas mentiras entre os nefitas” [5]

Com o se precaver contra o espírito do anticristo?

O Presidente Ezra Taft Benson falou sobre a importância do Livro de Mórmon, inclusive explicando que o mesmo revela os inimigos de Cristo e nos ajuda a vencê-los [6]. Ele deixou em 1986 uma bênção profética:

“Em nossos dias, o Senhor revelou a necessidade de voltarmos a realçar o Livro de Mórmon, a fim de tirarmos a Igreja e todos os filhos de Sião da condenação — o flagelo e o juízo (ver D&C 84:54–58). Essa mensagem deve ser levada aos membros da Igreja em todo o mundo. (…)

Agora, com a autoridade do santo sacerdócio investida em mim, invoco minha bênção sobre os santos dos últimos dias e sobre as pessoas de bem em todas as partes.

Abençôo-os com maior discernimento para julgarem entre Cristo e o anticristo. Abençôo-os com maior poder para fazerem o bem e resistirem ao mal. Abençôo-os com maior compreensão do Livro de Mórmon.

Prometo-lhes que, a partir de agora, se sorverem suas páginas e seguirem seus preceitos, Deus derramará sobre cada filho de Sião e a Igreja uma bênção até agora desconhecida — e suplicaremos ao Senhor que comece a retirar a condenação — o flagelo e juízo. Disso presto solene testemunho” [7]

O Élder Delbert L. Stapley afirmou que um testemunho a respeito do profeta moderno também nos protegerá: ”Testifico-vos, irmãos e irmãs, que Deus o sustém (o profeta vivo), e a ninguém mais neste mundo, senão ele, pois lhe foi conferido o chamado de profeta, vidente e revelador, representando o Senhor aqui na terra nesta época. Somente ele tem o direito de receber revelação para a Igreja, e se todas as pessoas entenderem esse fato, não serão enganadas por aqueles que procuram desviá-los da Igreja e de seus gloriosos princípios  (…) Eles serão fortalecidos contra os falsos mestres e anticristos, que certamente temos entre nós.” [8]

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NOTAS

[1] Manual do Aluno do Seminário Curso do Novo Testamento, pg. 160

[2] Manual do Aluno do Curso do Velho Testamento (curso 302), itálicos adicionados; pg. 304

[3] Conference Report, abril de 1948, pg. 179.

[4] “Ensinar a doutrina da Família”, A Liahona, Março de 2011

[5]  Mormon Doctrine, 2ª ed., 1966, pg. 39–40

[6] “O Livro de Mórmon expõe ao mundo os inimigos de Cristo. (…) Fortalece os humildes seguidores de Cristo contra os desígnios, estratégias e doutrinas malignas do diabo em nossos dias. O tipo de apóstatas do Livro de Mórmon é semelhante ao que vemos na atualidade. Deus, em sua infinita presciência, moldou o Livro de Mórmon de modo que enxergássemos o erro e soubéssemos como combater os falsos conceitos educacionais, políticos, religiosos e filosóficos de nossa época”. (“The Book of Mormon Is the Word of God”, Ensign, janeiro 1988, pg. 3).

[7] Conference Report, abril de 1986, p. 100; ou A Liahona, julho de 1986, pg. 80

[8] Conference Report, outubro de 1953, pg. 70