O conceito Santo dos Últimos Dias a respeito de Deus, como aquele de outros cristãos, está fundamentado no que o Pai tem revelado a respeito de Si mesmo a seus profetas e apóstolos, e também do que se pode aprender a respeito Dele a partir da vida terrena e ministério de Jesus Cristo.

Com a vasta maioria de seus amigos cristãos, os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias acreditam em um Deus de amor, que tem todo o conhecimento e todo o poder (ver 1 Nefi 11:22; 2 Nefi 1:15; 2 Nefi 9:20; D&C 38:1-3; Moisés 1:6; 1 Nefi 7:12; Alma 26:35). Seu trabalho contínuo com o mundo e seus filhos nele está registrado em todos os quatro livros padrão da Igreja Restaurada, mesmo A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (i.e. a Bíblia, o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor).

Os Santos dos Últimos Dias acreditam, como outros cristãos, em três pessoas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – e creem que Eles são três pessoas separadas (veja Mateus 28:19, 2 Nefi 31-21, Alma 11:44; Regras de Fé 1:1). O registro do batismo de Jesus sob as mãos de João o Batista, por exemplo, reporta que quando Jesus emergiu do Rio Jordão, o Espírito de Deus desceu dos céus sobre ele em forma de Pomba, enquanto a voz do Pai vinda dos céu testificou da divindade de Seu Filho Jesus Cristo (veja Mateus 3:13-17; Marcos 1:9-11; Lucas 3:21-22). Os Evangelhos do Novo Testamento registram várias afirmações de Jesus indicando que ele se via como um ser separado de Deus o Pai e subordinado a Ele. (ver João 14:28; Mateus 20:23; 26:30; João 5:19; 8:17-18; 17:1-5). Nos versículos iniciais da versão original grega, o Evangelho de João parece distinguir entre o Pai, que é “o Deus” (hothe¢s) e o Filho, que é “Deus” (the¢s). O apóstolo Paulo ocasionalmente reservou o termo Deus unicamente para o Pai (como em 1 Coríntios 8:6).

Os Santos dos Últimos Dias acreditam que Jesus, também, é divino (ver João 1:1; 20:28). Paulo escreveu de Cristo que “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:9). As escrituras também ensinam, e os Santos dos Últimos Dias também acreditam, que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são Um (ver 2Nefi 31:21; Mosias 54:4; Alma 11:44; 3 Nefi 11:36; Mormon 7:7; D&C 20:28). “Eu e meu Pai somos um”, disse o Salvador, declarando mais adiante que “o Pai está em Mim” (João 10:30, 38).

Um ou Três?

Como pode ser isso? Como pode haver um Deus, e entretanto três pessoas divinas? Pensadores cristãos têm lutado com essa questão por muitos séculos. A solução aceita pela maioria dos cristãos foi alcançada através de negociações e debates nos grandes concílios que aconteceram por vários séculos após a morte dos apóstolos e seus discípulos. Tomando emprestado conceitos dos mais avançados pensamentos, filosofias gregas, esses teólogos cristãos esforçaram-se para descrever a unidade-na-multiciplidade da Deidade em termos filosóficos.

O Santos dos Últimos Dias, ao contrário, guiados não por filósofos, mas por profetas modernos e apóstolos, vêem a unidade da Deidade na absoluta unidade de propósito e vontade que caracteriza o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Jesus buscou estabelecer essa mesma unidade entre os discípulos. Em sua famosa oração, o Salvador implorou “que eles todos possam ser um; como Tu, Pai, está em mim, e eu em Ti, que eles também possam ser um conosco… que eles possam ser um, assim como nós somos um: Eu estou neles, e Tu em Mim, que eles sejam perfeitos em unidade.” (João 17:21-23).

Nosso Pai

Os Santos dos Últimos Dias acreditam que Deus é literalmente o Pai dos espíritos de todo ser humano (ver Números 16:22; 27:16, Mateus 6:9; Efésios 4:6; Hebreus 12:9). “Pois”, como o apóstolo Paulo disse aos atenienses, “nós somos também sua geração”. (Atos 17:28; compare 17:29). Por sermos os filhos de um tal Pai, o Salvador nos admoesta a vivermos de acordo com nossa herança, “sermos … perfeitos, como nosso Pai que está nos céus é perfeito”. (Mateus 5:48, compare com 3 Néfi 12:48, 27:27; 28:10).

Por ser Deus nosso Pai, os Santos dos Últimos Dias acreditam, Ele não é meramente um juiz distante que nos aprisiona a um padrão abstrato de justiça. Muitíssimo mais perfeito do que o melhor dos pais mortais, Ele nos ama e se preocupa com nossa felicidade e bem-estar. (ver Mateus 7:7-11). “Pois eis que”, disse ele a Moisés, “esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”. (Moisés 1:39).

Além disso, por haver tomado sobre si um corpo mortal e vivido entre nós, nosso Redentor, Jesus Cristo, o Filho de nosso Pai, compreende-nos em todas nossas fraquezas humanas, desafios, pesares. O antigo profeta do Livro de Mórmon, Alma, ensinou que Jesus viria à terra e se submeteria à morte e sofrimento, “para que se lhe encham de misericórdia as entranhas, segundo a carne, para que saiba segundo a carne como socorrer seu povo conforme suas enfermidades” (Alma 7:12). Tanto o Novo Testamento quanto as revelações modernas recebidas através do Profeta Joseph Smith testificam que a missão terrena de Cristo foi um sucesso triunfante. “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”. (Hebreus 4:15). “Ele desceu abaixo de todas as coisas, no sentido de que compreendeu todas as coisas, para que fosse em tudo e através de todas as coisas, a luz da verdade: Verdade essa que brilha”. (D&C 88:6,7).

A forma física de Deus

Os Santos dos Últimos Dias tomam literalmente as muitas passagens na Bíblia que descrevem Deus como tendo uma forma física. Deus criou Adão “em sua própria imagem” e “conforme Sua semelhança” (Gênesis 1:26-27), e Paulo ensinou que “o homem mortal é a “imagem” de Deus (1 Coríntios 11:7). Durante sua vida terrena, Jesus Cristo foi dito ser “a expressa imagem” de Deus o Pai (Hebreus 1:3). Quando o Pai e o Filho apareceram a Joseph Smith no bosque em 1820, o jovem rapaz “viu dois personagens gloriosos, que se assemelhavam exatamente, tanto no aspecto quanto na aparência”.

Nosso Relacionamento com Deus

Assim pois, para os Santos dos Últimos Dias Deus está tanto próximo como distante. Ele é perfeito. Nós não somos. Ele é infinitamente amável, justo, cheio de misericórdia, sábio. Nós não somos. Ele tem todo o poder e glória. Nós certamente não temos. Mas Ele é nosso Pai, nós somos semelhantes a Ele, e Ele deseja compartilhar conosco tudo que Ele tem e é. “Aquele que vencer”, disse o Salvador, “concederei que se assente comigo em meu trono, assim como eu venci, e estou assentado com meu Pai em Seu trono.” (Apocalipse 3:21). Assim pois, os crentes na restauração do Evangelho estão cheios com o amor a Deus seu Pai, com profunda gratidão e esperança divinamente inspirada. “Amados”, escreveu o apóstolo João, “agora somos os filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.” (1 João 3:2).

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Este texto é parte do artigo “Cristianismo Nos Últimos Dias: Dez Questões Básicas” produzido por Noel B. Reynolds, Professor de Ciências Políticas na Universidade Brigham Young e Robert L. Millet, Professor de Escrituras Antigas na Universidade Brigham Young.