Mike Jensen inicia o seu artigo intitulado Smart Mórmons com duas declarações empíricas a respeito do resultados das recentes eleições presidenciais norte-americanas de 2012: 1) Se Barack Obama fosse branco ele teria conseguido 20 por cento menos votos. A base para esta afirmação  – “o voto em bloco dos afro-americanos combinado com os votos dos brancos que sofreram as consequências da crise global de modo mais contundente, e 2) se Mitt Romney não fosse Mórmon, o total de votos que ele poderia ter conseguido seria provavelmente maior.

De fato, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituo Gallup em junho de 2012, somente 4 por cento dos eleitores disseram que não votariam em Obama de jeito nenhum, contra 22 por cento daqueles que declararam que não votariam em um Mórmon.

O que Jensen não consegue compreender é a razão por que as pessoas tem uma visão tão negativa a respeito dos Mórmons. Ele também afirma que os Mórmons (Santos dos Últimos Dias, membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) tem sido geralmente associados a pessoas que, “trabalham duro, são bondosas, generosas, e focadas na família – justo o tipo de pessoas que a sociedade americana costuma valorizar (e talvez seja este o problema)”. Com o calor da eleição já dissipado, ele resolveu estudar um pouco mais a respeito deste “povo peculiar” chamado Mórmon. A sua intenção original era explicar porque 22 por cento dos entrevistados afirmaram que não votariam em um presidente Mórmon. Ao invés disso seu artigo ilustra as lições pessoais que aprendeu com a teologia Mórmon.

Jensen comenta que uma das coisas que inicialmente chamaram a sua atenção sobre os Mórmons e o Mormonismo foi a alegação feita por Mike Huckabee em 2007, de que os Mórmons acreditam que Jesus e Satanás são irmãos. Ironicamente, a lição de vida que ele foca e compartilha em seu tratado é sobre a existência pré-mortal e a guerra nos céus onde Lúcifer e uma terça parte dos filhos e filhas espirituais de Deus se rebelaram e foram expulsos.

Então aqui esta o que eu aprendi: os Mórmons ao contrario de muitas religiões cristãs, acreditam que todos os humanos já existiam antes da mortalidade. Eles chamam esta vida de pré-existência ou vida pré-mortal. Ao nascermos um véu é colocado em nossas mentes para que não lembremos dela (você saberá o porque daqui a pouco).

Nesta vida pré-mortal, todos estávamos na presença de Deus como Seus filhos espirituais. Jesus estava la – o primogênito de todos os filhos espirituais de Deus, e um líder no Conselho dos Céus. Lúcifer também estava la, um outro líder entre os filhos de Deus. Ele era chamado “filho da manhã”.

Em algum ponto da nossa existência, o Pai reuniu todos os Seus filhos para expor um plano de felicidade. Todos os Seus filhos deveriam deixar a Sua presença  e vir a terra para serem testados. O objetivo era ver se viveríamos uma vida justa mesmo quando tivéssemos que usar a fé, porque não lembraríamos de nossa existência com Deus nos céus (esta é a razão para o véu).

Se vivêssemos uma vida justa, nos seria dada a oportunidade de retornar a viver com Deus para sempre. Se, por outro lado, decidíssemos viver uma vida injusta, perderíamos esta chance, porque nada impuro pode habitar em Sua presença. Entretanto, Deus, sabendo que cometeríamos erros, proveu um Salvador para o mundo. Este Salvador viveria uma vida sem pecados, e por causa disto, se qualificaria para pagar pelos pecados do mundo através do que chamamos “Expiação”. Se as pessoas sinceramente se arrependessem de seus pecados, a Expiação poderia apaga-los, e assim elas poderiam voltar a viver com Deus novamente. O Pai pediu um voluntario para ser este salvador, e dois se apresentaram: Jesus e Lúcifer.
Lúcifer disse que ele seria o salvador e que forcaria a todos a viverem uma vida justa, para garantir que todos os filhos espirituais de Deus retornassem a presença Dele nos céus. Jesus disse que Ele seguiria o plano do Pai e permitiria que os filhos de Deus escolhessem por si mesmos. Eles poderiam então ser livres para se beneficiar da Expiação ou viver uma vida de pecados e perder a oportunidade de retornar e viver com Deus.

Deus rejeitou o plano de Lúcifer, fazendo com que este se rebelasse e declarasse guerra a Ele. Um terço dos filhos espirituais de Deus se juntaram a Lúcifer em sua rebelião. No final, a rebelião fracassou e Lúcifer e seus seguidores foram expulsos dos céus. Eles foram lançados na terra, sem o direito de possuir corpos, e agora eles continuam a guerra que iniciaram nos céus, tentando os homens a fazer o mal uns aos outros e perderem a chande de retornarem a Deus.
Muitas religiões cristãs tradicionais poderão ver similaridades entre os ensinamentos de A Igreja de Jesus Cristo a respeito dos acontecimentos celestiais e seus próprios ensinamentos que também afirmam que Lúcifer viveu nos céus como um anjo, declarando, consequentemente guerra a Deus e sendo expulso. Entretanto, a causa da guerra não esta necessariamente clara na teologia cristã tradicional. E ai que Jensen acha a teologia Mórmon tão intrigante. Para os Santos dos Últimos Dias, a maior de todas as batalhas, conhecida como a Guerra nos Céus, foi a lutada pela liberdade, ou também referida como “livre-arbítrio”. O plano de Lúcifer não permitiria que o homem fosse livre e toda a gloria seria eventualmente conferida a ele. Jesus, por outro lado, desejava fazer a vontade do Seu Pai e permitir ao homem retesse o seu arbítrio, e como resultado toda a gloria seria dada ao Pai.

Jensen continua seu artigo fazendo uma astuta comparação entre o Mormonismo e a politica moderna.

Eu vejo uma direta correlação neste caso. Para os Mórmons  a batalha pela liberdade não pertence somente a esta vida; mas sim, é o próprio núcleo das batalhas de todas as épocas. Lúcifer perdeu a guerra nos céus (ele realmente acreditou que poderia vencer Deus?), mas a guerra continua na terra. Quando um governo tiraniza seus governados, isso não deve ser encarado apenas como uma questão politica; é fundamentalmente uma questão eterna.

Ele continua dizendo que foi inspirado pela teologia Mórmon:

pais-fundadores-mormonDeus desejou que todos os humanos fossem livres para fazer suas próprias escolhas e viver de acordo com suas consequências. Os pais fundadores dos Estados Unidos disseram essencialmente a mesma coisa na Declaração de Independência:

Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade.

Jensen conclui seu estudo do Mormonismo dizendo que este não somente lhe conferiu um maior respeito pelos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e suas crenças religiosas, mas permitiu com que ele avaliasse sua própria atitude em relação “a liberdade que parece estar lentamente escorrendo pelos nossos dedos”. Ele percebe que a liberdade que é oferecida não é algo que deve ser tida como certa, mas na verdade ele é conferida por Deus, e por isso é esperado que lutemos para mante-la, assim como a temos agora.

Segundo a teologia mórmon, todos nós lutamos pela liberdade uma vez. O fato de que estamos aqui atesta que estávamos do lado de Deus na Guerra no Céu, e lutamos pela liberdade. Com isso em mente, por que qualquer um de nós estaríamos menos dispostos a lutar por ela aqui do que estávamos lá?

Recursos Adicionais

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Leia o artigo original de Mike Jensen (em inglês) clicando aqui.

Este artigo foi escrito por Keith L. Brown