12 tribos de israelHá duas evidencias da autenticidade e necessidade do Livro de Mórmon que trataremos neste artigo. A primeira baseada em Ezequiel 37 e a segunda em Gênesis 49 – são duas profecias que se cumprem no Livro de Mórmon.

 

EZEQUIEL 37

O profeta Ezequiel predisse, em Ezequiel 37, a restauração espiritual e física da casa de Israel.

Os profetas do Velho Testamento, especialmente os que se encontram entre os livros de Salmos à Malaquias tem a tendência de usar o dualismo – uma única passagem com dois significados diversos. Falando sobre como podemos entender o livro de Isaías, o Manual do Velho Testamento do Aluno (Curso de Religião 302) explica: “Como acontece frequentemente nos pronunciamentos proféticos, certos escritos têm duplo sentido; isto é, podem ser aplicados em mais de um sentido ou cumprir-se mais de uma vez. Às vezes, também combina frases dualistas com termos dirigidos ou que só devem ser entendidos por determinado grupo. Essa linguagem esotérica trás a mente conceitos religiosos que só os possuidores da própria formação religiosa compreendem sem maiores explicações” (“Compreender Isaías”, pg. 133).

Deve ser por causa desse “modo de profetizar dos judeus” todo especial que Lamã e Lemuel, irmãos mais velhos de Néfi, constantemente se perguntavam se as doutrinas e profecias deviam ser compreendidas segundo a carne ou se sua aplicação se referia a coisas futuras (1 Néfi 15:31). A resposta incluía o conceito de dualismo (1 Néfi 15:32 e 22:3).

O dualismo, o paralelismo, a quiasma (ou o quiasmo), a alegoria, a parábola e outras figuras de linguagem são recorrentes na literatura hebraica – e, portanto, em boa parte das escrituras que dispomos.

Como saber quando o dualismo esta sendo usado? Nem mesmo com estudo aprofundado é fácil discernir e interpretar corretamente. Exige-se muito do Espírito do Senhor. Em Ezequiel 37, por exemplo, a primeira parte do capitulo (v. 1-14) é sem dúvida uma profecia dualista: fala-se da ressurreição de Israel e da restauração espiritual da Israel (que aconteceria bem antes da ressurreição física). Depois na segunda parte do capítulo (v. 15-28) a profecia passa a ser especifica – falando como se dará a preparação tanto para a restauração quanto para ressurreição.

E é sobre a profecia de Ezequiel 37:16-17 (transcrita abaixo) que traremos aqui. Essa profecia é uma evidência poderosa da autenticidade do Livro de Mórmon:

“Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira, e escreve nele: Por Judá e pelos filhos de Israel, seus companheiros. E toma outro pedaço de madeira, e escreve nele: Por José, vara de Efraim, e por toda a casa de Israel, seus companheiros. E ajunta um ao outro, para que se unam, e se tornem uma só vara na tua mão.”

 Vara é o mesmo que registro nesta passagem. Antigamente acreditava-se que vara se referia a cetro ou bastão. Atualmente, porém, os estudiosos concordam com Joseph Smith para o significado da palavra.

“A palavra hebraica etz, usada nessa passagem de Ezequiel tem o sentido básico de madeira (…). Em 593 a.C., quando foi chamado como profeta, Ezequiel vivia exilado na Babilônia (…). Caminhando pelas ruas de lá via os escribas típicos calcando seu afiado estilo em tabuletas de argila úmida, produzindo a complicada escrita cuneiforme. Mas os pesquisadores de hoje sabem que se faziam outros registros na Mesopotâmia: sobre papiro, pergaminho, e tabuletas de madeira. Embora apenas as tabuletas de argila hajam sobrevivido até hoje, seus escribas se referiram nelas aos outros tipos de material de escrita. (Um estilo de escrita era chamado ‘tabuleta de pau’)” (Manual de Religião do Velho Testamento do Aluno, Curso de Religião 302, 27-22, pg. 283).

Descobertas arqueológicas tem demonstrado que nas tábuas de madeira serviam de base para um registro escrito sob a cera. Portanto, podemos entender que Ezequiel estava falando sobre registros escritos.

Ele disse que dois registros seriam escritos – um por Judá e outro por Efraim. Como dez tribos foram dispersas e perdidas, os israelitas passaram a ser conhecidos como os judeus – pois a maioria dos hebreus era da tribo de Judá. A Bíblia chegou até nós pelos judeus (1 Néfi 13:20-29).

O povo de Leí era descendente de José do Egito (2 Néfi 3:4). Leí era descendente de Manassés (Alma 10:3) e Ismael era descendente de Efraim. Os filhos de Leí casaram-se com os filhas de Ismael, conservando a descendência de José do Egito. É verdade que Zorã e os mulequitas eram provavelmente de outras tribos de Israel. Entretanto a descendência de José predominou em toda história do Livro de Mórmon.

Alguns podem se perguntar como é possível que Leí e Ismael pertencessem a outra tribo que não fosse Judá e Benjamim, visto que as dez tribos que formavam o Reino do Norte (a qual se incluía Efraim e Manassés) já haviam sido levadas cativas 120 anos antes de Leí deixar Jerusalém. É fácil explicar isso ao estudar a história de Israel. Quando Jeroboão assumiu o governo das Dez Tribos, instituiu cultos idólatras para que seu povo não necessitasse ir ao Reino do Sul, em Jerusalém, adorar o verdadeiro Deus. Por causa, muitos justos deixaram o Reino do Norte unindo-se ao Reino do Sul:

“Também os sacerdotes e os levitas, que havia em todo o Israel, se reuniram a ele de todos os seus termos. Porque os levitas deixaram os seus arrabaldes, e a sua possessão, e vieram a Judá e a Jerusalém, porque Jeroboão e seus filhos os lançaram fora para que não ministrassem ao SENHOR. E ele constituiu para si sacerdotes, para os altos, para os demônios, e para os bezerros, que fizera. Depois desses também, de todas as tribos de Israel, os que deram o seu coração a buscarem ao SENHOR Deus de Israel, vieram a Jerusalém, para oferecerem sacrifícios ao SENHOR Deus de seus pais. Assim fortaleceram o reino de Judá e corroboraram a Roboão, filho de Salomão, por três anos; porque três anos andaram no caminho de Davi e Salomão” (II Crônicas 1:13-17).

“E reuniu a todo o Judá, e Benjamim, e com eles os estrangeiros de Efraim e Manassés, e de Simeão; porque muitos de Israel tinham passado a ele, vendo que o SENHOR seu Deus era com ele” (II Crônicas 15:9).

O Senhor sabia que nos últimos dias muitos teriam dificuldades de acreditar na Bíblia também no Livro de Mórmon. Enquanto alguns resguardassem a Bíblia como a única fonte de adoração – excluindo qualquer outra escritura, outros seriam céticos a respeito de todo e qualquer texto sagrado.

O Senhor dá uma lição a todos os que pensam assim em 2 Néfi 29. De acordo com esse capítulo o Senhor revelaria as “palavras dos nefitas” ou a “vara de Efraim” (pois os nefitas eram descendentes de Efraim e Manassés, filhos de José, do Egito) pelos seguintes motivos:

  1. “A fim de recordar os convênios que fiz com os filhos dos homens” – o Convênio do Evangelho, que é o Plano de Salvação, não tem eficácia sem as escrituras. Néfi entendia isso, por isso foi diligente em buscar as escrituras para seu povo (1 Néfi 4:6-24, 1 Néfi 5:11-22). Sem as escrituras os homens degeneram na incredulidade (Ômni 1:14-18). As escrituras convertem (Alma 37:9) e conduzem a Vida Eterna (João 5:39). É impossível que os homens conheçam os convênios sem escrituras. Uma das maiores provas de que o Senhor se recorda de seus filhos é quando concede novas revelações aos homens.
  2. “Para que eu estenda a mão pela segunda vez a fim de recuperar o meu povo” – como parte da predita restauração, a coligação só poderia acontecer com um novo volume de escrituras. A página rosto do Livro de Mórmon destaca que o livro foi escrito para mostrar aos remanescentes da casa de Israel “as grandes coisas do Senhor” e para que pudessem “conhecer os convênios do Senhor e saibam que não foram rejeitados para sempre”. O élder Russel M. Nelson, do Quorum dos Doze disse: “O surgimento do Livro de Mórmon é um sinal para o mundo inteiro de que o Senhor começou a coligar Israel e a cumprir os convênios que fez com Abraão, Isaque e Jacó. Não apenas ensinamos essa doutrina, mas também participamos dela. Fazemos isso ajudando a coligar os eleitos do Senhor nos dois lados do véu. O Livro de Mórmon é um ponto central dessa obra. Ele declara a doutrina da coligação. Faz as pessoas aprenderem a respeito de Jesus Cristo, a acreditarem em Seu evangelho e a filiarem-se à Sua Igreja. Na verdade, se não houvesse o Livro de Mórmon, a coligação prometida de Israel não aconteceria” (“A Coligação da Israel Dispersa”, Conferência Geral, sessão da manhã de domingo, outubro de 2006).
  3. Para que “eu me lembre das promessas que fiz a ti, Néfi, e também a teu pai, de que me lembraria da tua semente”. Para cumprir uma promessa especifica o Senhor preservaria um registro para abençoar os leítas dos últimos dias (1 Néfi 13:30-42).
  4. O Senhor criou “todos os homens” e ele se lembra “dos que estão nas ilhas do mar” e revela sua “palavra aos filhos dos homens, sim, a todas as nações da terra”. Portanto, Ele que quer salvar todos os seus filhos diz “as mesmas palavras, tanto a uma nação como a outra. E quando as duas nações caminharem juntas, os testemunhos das duas nações também caminharão juntos.” De fato, aprendemos que há uma só fé, um só batismo e um só Deus (Efésios 4:5-6).
  5. Deus é “o mesmo ontem, hoje e para sempre” (D&C 20:12, Hebreus 13:8)
  6. Porque Ele disse “uma palavra” não devemos presumir “que não possa dizer outras”; De fato somos ensinados nas escrituras que Seu “trabalho ainda não está terminado nem estará até o fim do homem nem desde aí para sempre” (João 5:17).
  7. Deus ordena “a todos os homens, tanto no leste como no oeste, tanto no norte como no sul e nas ilhas do mar, que escrevam as palavras que lhes digo.” Tais escrituras servem para convidar as pessoas a achegarem-se a Cristo (2 Néfi 25:26) e para servirem como parâmetro no dia do Julgamento Final – pois “pelos livros que forem escritos julgarei o mundo” disse o Senhor.
  8. “Os judeus terão as palavras dos nefitas e os nefitas terão as palavras dos judeus; e os nefitas e os judeus terão as palavras das tribos perdidas de Israel” – a coligação das escrituras se dará para que a coligação física e espiritual da Israel aconteça como profetizado.

A Lei de Testemunhas é uma lei divina (II Coríntios 13:1, ver Prova 1). Deus sempre estabelece sua palavra com mais de uma testemunha (2 Néfi 27:14 e Éter 5:3-4). Assim, para que as verdades da Bíblia fossem confirmadas era necessário um registro adicional:

GÊNESIS  49

Néfi explica que o Livro de Mórmon (Ou Registro de José) foi escrito para “convencer os gentios e os remanescentes da semente de meus irmãos e também os judeus que estavam dispersos por toda a face da terra, de que os registros dos profetas e dos doze apóstolos do Cordeiro (a Bíblia) são verdadeiros. E falou-me o anjo, dizendo: Estes últimos registros que viste entre os gentios (O Livro de Mórmon e outras revelações) confirmarão a verdade dos primeiros (a Bíblia), que são dos doze apóstolos do Cordeiro, e divulgarão as coisas claras e preciosas que deles foram suprimidas; e mostrarão a todas as tribos, línguas e povos que o Cordeiro de Deus é o Filho do Pai Eterno e o Salvador do mundo; e que todos os homens devem vir a ele, pois do contrário não poderão ser salvos (1 Néfi 13:39-40).”

Tudo isso cumpre a profecia de Jacó sobre José:

“José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto a uma fonte; seus raminhos se estendem sobre o muro. Os flecheiros lhe deram amargura, e o flecharam e perseguiram, mas o seu arco permaneceu firme, e os seus braços foram fortalecidos pelas mãos do Poderoso de Jacó, o Pastor, o Rochedo de Israel, pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoara, com bênçãos dos céus em cima, com bênçãos do abismo que jaz embaixo, com bênçãos dos seios e da madre. As bênçãos de teu pai excedem as bênçãos dos montes eternos, as coisas desejadas dos eternos outeiros; sejam elas sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça daquele que foi separado de seus irmãos” (Gênesis 49:22-26).

Essa passagem faz parte da bênção patriarcal que Jacó deu a seu filho José.

O Senhor fez o convênio do Evangelho com Abraão. Este convênio foi repetido com Isaque e com Jacó (neto de Abraão). Deus mudou o nome de Jacó para Israel. A descendência dos filhos de Jacó é chamada de Casa de Israel. As doze tribos de Israel vêm daí. José teve dois filhos: Manassés e Efraim. Jacó os abençoou como seus filhos, pelo que foram contados entre os filhos de Israel. Quando falamos da tribo de José comumente estamos falando ou da descendência de Manassés ou da descendência de Efraim.

A interpretação dessa passagem em Gênesis leva-nos a compreender uma profecia sobre os leítas e o estabelecimento deles nas Américas e por isso a passagem se torna uma das principais evidências da autenticidade do Livro de Mórmon.

A descendência de José seria frutífera, semelhante a uma árvore perto de uma fonte de águas – iria crescer extraordinariamente. A frase “seus raminhos se estendem sobre o muro” é uma clara alusão de que a descendência de José iria viajar pelo oceano, considerado uma fronteira ou um muro intransponível na época.

O Élder Orson Pratt disse: “A benção peculiar dada a José, foi a de que ele desfrutaria de possessões muito maiores que as concedidas aos progenitores de Jacó, até a extremidade dos outeiros eternos. Isso parece indicar que ocupariam uma terra localizada muito longe da Palestina.” (Jornal of Discurses, volume 14, pg. 9)

O Élder LeGrand Richards disse que os “outeiros eternos” mencionados em Gênesis 49:26 se referem às Américas. (Ver Conference Report, abril de 1967, p. 20.)

Sobre a frase “os flecheiros lhe deram amargura, e o flecharam e perseguiram, mas o seu arco permaneceu firme, e os seus braços foram fortalecidos pelas mãos do Poderoso de Jacó” podemos dizer que é uma referencia ao passado do próprio José, que sofreu na sua juventude pela maldade de seus irmãos mais velhos. Mas também, que com o tradicional dualismo das profecias do Velho Testamento, a frase é um resumo da história da descendência de José, sendo constantemente afligida, e depois fortalecida pelo Poderoso de Jacó.

Quando Israel diz a seu filho José “daquele que foi separado de seus irmãos” não esta apenas, mais uma vez, se referindo ao passado dele, quando José foi vendido como escravo, e, portanto, separado de sua família. Seiscentos anos antes de Cristo, Leí, um descendente de José (1 Néfi 5:14), seria separado das outras tribos indo, com sua família e outros, para as Américas.

Leí compreendeu isso e antes de morrer e falou a seu filho mais novo: “Pois eis que tu és o fruto de meus lombos; e eu sou um descendente de José, que foi levado cativo para o Egito. E grandes foram os convênios que o Senhor fez com José. Portanto José verdadeiramente viu nossos dias. E obteve a promessa do Senhor de que do fruto de seus lombos o Senhor Deus levantaria um ramo justo para a casa de Israel; não o Messias, mas um ramo que seria arrancado e, não obstante, seria lembrado nos convênios do Senhor (…)” (2 Néfi 3:4-5).

O profeta Zenos e o profeta Zenoque, que viveram na época do Antigo Testamento, antes de Leí, mas que não são mencionados em nossa Bíblia atual, devido à iniquidade, falaram “particularmente” sobre os leítas (3 Néfi 10:16). Zenos em sua grandiosa “alegoria das oliveiras” fala sobre à Casa de Israel sendo dispersa pelo mundo. Um dos ramos da Oliveira foi plantando  numa excelente parte da vinha – numa terra “fértil” (Jacó 5:25). Entretanto a árvore produziu parcialmente frutos bons e parcialmente frutos maus – o que indica a separação dos leítas em dois ramos, um justo (os nefitas) e um iníquo (os lamanitas) (2 Néfi 5).

Zenos também falou sobre a extinção do ramo justo (destruição dos nefitas), da dominação dos iníquos (lamanitas), da excelência das Américas, da tristeza do Senhor ao contemplar a apostasia e até da extinção dos Jareditas, para que os leítas fossem “plantados” nas Américas (Jacó 5:40-44).