Uma mulher da minha ala deu uma lição em um domingo sobre como os Mórmons precisavam se arrepender, pois nós tendemos a adorar a família mais do que Deus.

Ela argumentou que, quando falamos sobre o que era certo fazer no domingo, não deveríamos de nenhuma forma, pensar sobre “atividades familiares”. Nós deveríamos fazer coisas que mostram o nosso amor, e temor, por Deus. Para ela, isso significava ler as escrituras e orar muito, com acompanhamento, se possível, de vídeos da Igreja e de discussões doutrinárias.

Eu tenho pensado desde então sobre o que ela disse e me pergunto se é verdade que os Mórmons adoram a família.

  • Os Mórmons acreditam que, para entrar no nível mais alto do reino celestial, temos de ser casados.
  • Acreditamos que continuaremos a ter filhos pela eternidade.

OS MÓRMONS ADORAM A FAMÍLIA!

Então, de alguma forma, essa mulher estava certa. Mórmons adoram a família. Ou seja, consideramos a família uma determinação dos céus. Mórmons falam sobre o lar da família como uma espécie de templo, e dedicamos nossos lares com uma oração efetiva e uma benção para protege-la dos maus espíritos e más influencias e (alguns acreditam) inundações e outros desastres naturais. Por vezes, permitimos pessoas que não têm familiares frequentando a igreja a sentirem-se como se não pertencesse a mesma. Falamos muito pouco sobre a salvação individual e mais sobre como ter certeza de que não existem “cadeiras vazias” no templo. Em vez de pregar o livre-arbítrio para os nossos descendentes, falamos sobre como sempre ter certeza de que eles “escolham o que é certo” na esperança de cortar suas opções, em vez de expandi-las.

Eu amo o meu marido e os meus filhos. Amo a Doutrina que me diz que, de alguma forma, eu sempre estarei ligada a eles (embora não possa imaginar que isso não seja verdadeiro, após haver compartilhado minha vida com eles por tanto tempo). Eu amo minhas “Noites Familiares” (após uma luta inicial) e eu sei que os meus filhos a adoram também, pois eles ficam tristes se eu esquecer por uma semana. Eu amo nossas conversas familiares no sofá, e aconchegos, na agora, pequena-grande cama. Eu amo estar junto como uma família para servir, competir em corridas, e para comer. Eu acredito que ser uma mãe ensinou-me muito sobre a vida, eternidade e Deus.

Mas, os Mórmons precisam parar de agir como se a família fosse o único caminho para Deus. Ser uma mãe não é a única maneira de aprender lições e valores que eu tenho aprendido no meu próprio desenvolvimento como pessoa. Relações familiares não são os únicos tipos de relações importantes. Muitas pessoas têm famílias que não são parte da igreja, ou eles não têm seus familiares. Nenhuma dessas pessoas deveria sentir que o Mormonismo não é para eles, que eles são a menor parte da família de Deus, ou que as lições dominicais da igreja não são para eles.

Como um povo, precisamos estar conscientes sobre o que dizemos às pessoas solteiras, divorciadas, e aquelas que tem situações familiares difíceis. Falar sobre famílias eternas para aqueles que sofreram abuso sexual é problemático na melhor das hipóteses. “As Famílias são Eternas”, tema da Primária, pode soar como punição, em vez de uma benção e para outros uma zombaria da qual eles não têm controle algum. Queremos que as pessoas se casem a todo custo, não importando as circunstâncias? Certamente não. E quando as família não tão “perfeitas” existirem, devemos trabalhar duro na inclusão das mesmas. Sim, ter um outro pai para levar rapazes a uma viagem de escoteiros ou um passeio de pai e filho é uma maneira de fazê-lo certo. Ter um Portador do Sacerdócio para visitar mulheres solteiras ou casadas fora da igreja é outra maneira.

Podemos fazer o melhor de nós mesmos e ainda mais. Precisamos pensar cuidadosamente sobre questões de classe e raça em torno de uma unidade familiar. Em vez de pressionar o mantra “famílias eternas”, talvez possamos trabalhar mais para falar sobre a desigualdade salarial, questões de acolhimento de crianças e cuidados de saúde para todos.
Nossa ideia de família tem de ser mais inclusiva. Quando falamos em defender a família, devemos defender as famílias de todos os tipos. Precisamos ser menos condescendente com mulheres e homens que não se casaram ou que não têm filhos . Podemos ser mais abertos a aprender com eles e suas lições de vida. Podemos chamá-los para as mais amplas variedades de posições.

E podemos lembrar que nós realmente não adoramos a família , apesar das aparências . É apenas uma (ótima) maneira de sentir o amor de Deus e encontrar o caminho de volta a Ele .

Este artigo foi escrito originalmente por Mette Harrison para o Religion News Service, traduzido por Gerson Ressilt.